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A falsa questão das agências de rating

As agências de rating estão sob ataque (eminentemente político) pelas decisões dos últimos meses de dizer que achavam que a dívida pública Portuguesa não era de confiança. Analisando a situação ainda não encontrei quem discordasse. Também não vejo as pessoas a defender que se censurem entidades ou pessoas privadas de dizer o que lhes passa pela cabeça. O que me leva à conclusão que há muito boa gente a olhar para o lado errado quando vejo a importância dada às agências de rating.

Uma agência de rating faz uma avaliação do risco de devedores. É um serviço que prestam a credores. E aqui está a questão base: nós não temos dinheiro. Estado, pessoas e empresas. Graças a comportamentos de longo-prazo, gastou-se e continua-se a gastar mais dinheiro do que o que se faz. Pior: nem temos o dinheiro para pagar as dívidas sem nos endividarmos mais. Dependemos, pelas nossas escolhas, dos credores. E chateamo-nos quando os credores exigem mais…

Sim, toda a questão das agências de rating é uma falsa questão. São distracções que nos impedem de focar no essencial:

  • gastar menos;
  • reservar uma parte do que ganhamos para poupança;
  • ensinar aos políticos o que é um investimento (e que tem de ter retorno positivo);
  • controlar a despesa pública (através de serviços como o http://transparencia-pt.org/ e outros);
  • responsabilizar (judicialmente) os políticos por desperdício público;
  • vender para fora;
  • criar novas formas de gerar/fazer dinheiro (sejam empresas ou não);
  • reduzir a burocracia (débito directo para pagamentos às finanças e segurança social, cálculo automático de subsídios com base no IRS, aprovação tácita de licenciamentos em tempo útil para os negócios que precisam, definição de checklists públicas para implementação de negócios em particular na área de segurança alimentar, etc);
  • mudar a lei do trabalho para acabar com as diferenças pagas por todos e usufruídas por alguns em nome de “direitos adquiridos” que os usufrutuários não pagam.

Psicologicamente é mais fácil externalizar que a culpa é das agências de rating ou dos credores, até porque a alternativa é que temos de trabalhar para resolver o buraco em que estamos… Infelizmente a realidade é que o trabalho tem de ser feito. Vamos a ele!

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8 Responses

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  1. Pedro Moura Pinheiro says

    Bravo, uma resposta clara, simples, e positiva. A culpa é de todos, a começar por nós.

  2. Marco Neves says

    Escrevi algo no mesmo sentido ontem à noite no AnarcoDemocracia – http://lnkstts.com/104

  3. Bruno Martins says

    Olá,

    Sem pôr de lado o facto o facto de termos de gastar menos , vender para fora, etc.
    Falta só dizer que as agências de Rating são movidas pelo lucro , por exemplo, uma das coisas que contribuiu e muito para o estoiro de 2008 foi o facto de as agencias de rating avaliarem produtos tóxicos como AAA ou seja risco mínimo. Aconselho vivamente a verem o Inside Job do Charles Ferguson para ter uma noção de como são as agências de Rating. Isto para além de todo o lixo que popula o mundo financeiro

  4. mestrejoao says

    Aquilo que o José Gomes Ferreira não disse é que a razão do ataque ao Euro é que temos uma suposta união económica sem a correspondente união política. E vai continuar até arranjarmos uma solução política única para a Europa.

  5. mestrejoao says

    Bom, excepto o detalhe omisso de o acordo com a Troika exigir um défice de 5,9% ao fim do ano e estarmos muito longe disso (7,7% no primeiro trimestre é catastrófico…).

  6. Paulo says

    Cada um é COTADO de acordo com seu méritos ou deméritos !! O RESTO É TRETA DO ZÉ POVINHO !!

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  1. Sulista, Elitista e Liberal » Blog Archive » A falsa questão das agências de rating linked to this post on 1 de Setembro de 2011

    […] A loja do Mestre João […]



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